quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Brasil c/ Educação Negligenciada Pelos Governos.

 Do Fundo do Baú ( Publicado em 03.10.2013 por Cora Rónai ):

"Brasil, Educação Zero".
Há algumas semanas voltou a circular pela internet um ranking de aprendizado mundial divulgado no final do ano passado pela Pearson, empresa inglesa dedicada à educação. Ele reflete dados colhidos entre 2006 e 2010 em 39 países e uma região (Hong Kong) e não chega a surpreender quem se interessa pelo assunto.
O primeiro lugar é ocupado pela Finlândia, seguida por Coréia do Sul, Hong Kong, Japão e Singapura. O Brasil só não ficou em último lugar porque, espantosamente, a Indonésia conseguiu se sair ainda pior.O ranking é baseado em dois indicadores, um que verifica a habilidade cognitiva dos alunos através de uma série de testes de leitura, matemática e ciência, e outro que aponta o nível da sua formação através das notas de graduação e cultura geral. Entrevistado pela BBC, Sir Michael Barber, diretor do conselho educacional da Pearson, disse que os países mais bem colocados têm, em comum, uma “cultura da educação”: entre outras coisas, seus professores são respeitados e gozam de alto status social. Aí está o X da questão.
Educação não se compra pronta ali na esquina, nem se faz unicamente com escolas e professores; educação se faz com determinação social, e com a percepção generalizada de que levar os estudos a sério é fundamental para o desenvolvimento do país e de seus habitantes. Prova disso é que os Estados Unidos, com todo o seu poderio econômico, amargaram um medíocre 14º lugar no ranking.“À primeira vista, dinheiro e educação parecem criar um círculo virtuoso, no qual países — e indivíduos — ricos compram boa educação para as suas crianças, que, por sua vez, se beneficiam economicamente” — diz o prefácio do estudo.
— “Um olhar mais atento, porém, revela que tanto os maiores índices de renda quanto os melhores resultados nos testes de conhecimento são resultado de estratégias adotadas muitas anos antes, independentemente dos níveis de renda então existentes.
”O Brasil, longe de ter uma “cultura da educação”, tem uma “cultura da ignorância”, que as nossas crianças aprendem desde cedo. Melhor do que ser bom aluno é ser esperto, é colar sem que o professor veja, é comprar as respostas das provas para ter, não um conjunto de conhecimentos importante, mas um diploma.
Que, aliás, e não por acaso, vale cada vez menos. Longe de gozar alto status social, como nos países verdadeiramente desenvolvidos, nossos professores são humilhados e desprezados pelos governantes. São agredidos pelos alunos em sala de aula com frequência alarmante e, muitas vezes, os pais dos agressores ainda se sentem no direito de tomar satisfações na diretoria.
A educação brasileira, que nunca foi lá aquelas maravilhas, começou a ser desmontada durante a ditadura e, de lá para cá, veio ladeira abaixo como um trator sem freio.
Não consigo imaginar outro país em que um presidente tenha dito, como disse Lula, que ler livro é como andar na esteira.
Os sinais da decadência do ensino — que é, no fundo, a decadência do apreço pela cultura e pela educação — podem ser vistos em toda a parte, dos cardápios mal redigidos dos restaurantes às placas das rodovias federais, onde as crases não são usadas por necessidade, mas por capricho. No rádio e na televisão praticamente não há entrevistado, de qualquer profissão ou instância de poder, que consiga formar uma frase correta, sem erros de regência ou de concordância. Quando as entrevistas são feitas com políticos ou com “autoridades”, então, a coisa desanda de vez. Minha irmã é professora na pós-graduação em música da Unirio. Na semana passada, me mostrou algumas provas que corrigiu. Os alunos — candidatos a mestrado e doutorado — tinham que traduzir um pequeno trecho do inglês para o português. Era um trecho simples, sem maiores mistérios, sobre o papel do regente na orquestra. Em muitas das provas, a palavra “wand”, batuta, foi traduzida por varinha de condão, sua primeira acepção no dicionário. Como é que um estudante formado em música num curso superior pode chegar a essa conclusão?! Será que não desconfia de que algo está errado numa tradução que põe nas mãos do regente uma varinha de condão no lugar de uma batuta? E não, o trecho a ser traduzido não se passava em Hogwarths! Nem vou falar nas frases ininteligíveis, nos erros crassos de português ou na indigência geral do vocabulário, absolutamente deprimentes para quem ainda tem alguma esperança nesse país. O primeiro passo para a criação de uma “cultura da educação” é valorizar os professores, conferindo-lhes a devida importância no tecido social. Isso significa remunerá-los dignamente, dar-lhes reconhecimento e boas condições de trabalho. Isso é essencial para que o aluno possa olhar para o professor com admiração e respeito, e para que passe a considerar o magistério uma profissão nobre, digna de ser exercida. Valorizar os professores significa também ouvi-los quando dizem que não têm mais como continuar trabalhando com os salários ridículos que recebem. Um país que trata os seus professores a cacetadas, balas de borracha e spray de pimenta é um país que despreza o seu futuro. A Indonésia que nos aguarde: no próximo ranking da Pearson, ninguém tasca o nosso último lugar.
(Cora Rónai -O Globo, Segundo Caderno, 3.10.2013)

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Um exemplo desse DEScaso com a Educação ocorre no estado do Rio de Janeiro, o qual  abordo em: 

observacoeseducacionais.blogspot.com/2022/12/a-falacia-e-farsa-educacional-no-estado.html











segunda-feira, 24 de julho de 2023

Reflexão da Greve 2023

 Anteriormente a Greve o governo deixou de cumprir o acordo com a Alerj quando emitiu um decreto para repor aos Servidores estaduais do RJ a pequena parte da Perda Acumulada que seria de 5,62% em Janeiro de 2023, e isso não ocorreu. Os Docentes da rede estadual iniciaram com o Sindicato (Sepe) o pleito para que o governo cumprisse  a Lei Nacional do Piso do Magistério e com isso várias reuniões com a Seeduc, mas a mesma só enrolava o que culminou com aprovação da GREVE em assembleia lotada em 15/06/23 que teve início em 24/06/23 para cumprir o prazo de 72h exigido nesse caso.


O governo algum tempo após o início da Greve fez uma proposta de Piso, mas que atendia somente os níveis 3 e 4 da categoria, deixando sem nada os níveis de 5 a 9 , pois essa proposta  considerou o salário + triênio como sendo o Piso, os demais níveis segundo o governo já ganham o Piso Nacional (R$4.420,55), ou seja, considerou o Piso como TETO. O fato é que para o cumprimento da Lei Nacional do Piso do Magistério somente é considerado o salário e não os demais benefícios e em conformidade com as Leis: Lei estadual nº 1.614 de 24/01/1990 e Lei Nacional do Piso do Magistério que é a Lei nº 11.738 de 16/07/2008 , como essa proposta de Piso foi rejeitada pela Categoria em assembleia e a Greve continuava forte o governador Cláudio Castro transformou a sua ridícula proposta em Decreto, ou seja, objetiva exterminar com o nosso Plano de Cargo e Salário, já que o piso se transforma em TETO  (R$4.420,55). Com isso a Greve ganhou mais força pois mais Docentes se uniram na luta, mas por outro lado muitos continuaram como se nada estivesse ocorrendo e continuaram nas escolas com a desculpa de que não poderiam perder as glpS  e não percebem que com o salário atual, pior do Brasil e glpS paga pelo nível inicial e somente dois meses depois de feitas e que não mais as terão quando se aposentarem e não vão para aposentadoria contarão somente com esse baixo salário. Já com o Cumprimento da Lei do Piso na Integra o salário terá um ganho substancial  e não será mais necessário se submeterem a glpS.

Apesar da Greve ser um Direito do trabalhador para exigir o que no nosso caso o governo não cumpre, a mesma foi considerada ilegal pelo TJ, o que é ABSURDO.
Houve então em 28/06/23 uma audiência de conciliação entre o Sepe e o governo mediada pelo TJ onde foram acertados  o fim da Greve e por outro lado o governo ficou de emitir uma folha suplementar devolvendo os descontos efetuados e as reposições poderiam ser feitas até 22/12/2023, já o Sepe deveria fazer uma nova proposta de aumento salarial, já que o governo alega não poder cumprir a nossa reivindicação que é a Lei do Piso na sua integra, o que já estava praticamente pronto que será de 41% que é segundo o DIEESE é a perda desde Julho/14 a Junho//23. Por outro lado o governo quebrou o acordo conciliatório ao exigir início da reposição em pleno recesso escolar no período de 10/ a 14/7 e até o fim do recesso (24/7) não houve a devolução dos descontos. O fato é que não dá para confiar nesse governo, dessa forma eu, Omar Costa só farei a reposição após a devolução do que me foi descontado.



Particularmente eu não acredito que o DESgovernador Claudio Castro cumpra as suas promessas feitas na campanha de 2022 para a educação, que foram Cumprir de fato a Lei do Piso na sua integra por sua livre espontânea vontade e mesmo tendo dito que 2023 seria o ano da Educação. Dessa forma não ignoro a possibilidade de uma nova Greve em 2023, e isso ocorrendo que TODOS os Docentes se Unam na Luta pelo Cumprimento da Lei  do Piso e de que nenhum Servidor ganhe menos que um salário mínimo como ocorre hoje.

                                                                          
Rui Barbosa.jpg


Não imagino que o Docente em tendo uma nova Greve no segundo semestre se comporte como muitos se comportaram em não participar da Greve do primeiro semestre, pois seria mais uma vez a Contradição Pedagógica, pois:

Contradição pedagógica.jpg

Eu, Omar Costa me sinto mal ao ver colegas Docentes que sejam subservientes aos desmandos de algumas direções que esquecem que estão em gestão, mais são Docentes.

Servidor subserviente.jpg

domingo, 19 de março de 2023

Sobre a Deforma do Ensino Médio (BNCC)

 A tal reforma do ensino médio está sendo implantada, e no estado do RJ em 2022 foi  no 1º ano e agora em 2023 no 2º ano e ano que vem se essa coisa não for revogada atingirá o 3º ano do ensino médio. O fato é que isto está sendo altamente prejudicial aos alunos das escolas públicas principalmente as estaduais, pois todas as disciplinas tradicionais tiveram tempos reduzidos em suas grades, principalmente as da área de humanas. Reduções significativas em História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Artes e também em Biologia, Física e Química , as menos atingidas foram Matemática e Português. No lugar das disciplinas citadas entraram na grade como eletivas e projetos de vida coisas como: “ o que rola por aí, eu robô, brigadeiro caseiro, sonhando alto, qualquer coisa vale, ação, sempre em movimento, relicário de herança, como ficar rico, novas formas de existir, falar mais viajar melhor, meu lugar turístico, protagonismo nas redes, se liga na rede, rpg (jogo), vamos jogar, linguagem nas palavras: novas formas de existir, na atividade, mundo pet , etc... por isso é que me incluo em desejar a revogação dessa DEforma do ensino médio, pois está aumentando a defasagem de aprendizagem dos alunos das redes públicas em relação aos alunos das boas escolas privadas, que ao contrário mantiveram suas grades originais e as eletivas e projetos de vida são on line. Tem que revogar, pois a mesma não houve consultas aos docentes das escolas públicas, aos sindicatos que representam a educação, mas somente às fundações privadas que lucram com as verbas públicas como a Fundação Roberto Marinho, Todos pela educação, fundação Bradesco, etc...

Anteriormente já havíamos divulgado nas redes sociais O Privado de Olho no Público

https://observacoeseducacionais.blogspot.com/2015/10/o-privado-de-olho-na-educacao-publica.html

No Brasil com essa DEforma do ensino médio a educação chora lágrimas de sangue.





A seguir texto do Prof. José Alves (professor da Unifesp).

10 RAZÕES OBJETIVAS PARA VOCÊ ENTENDER PORQUE É NECESSÁRIO REVOGAR O NOVO ENSINO MÉDIO

1. Na terceira série do ensino médio, os alunos da escola pública paulista passaram a ter, por semana, apenas 3 aulas de Língua Portuguesa e 2 de Matemática. Todas as demais matérias são de disciplinas dos itinerários com quase nada de conteúdos. ENQUANTO ISSO, NA MESMA SÉRIE, OS FILHOS DA CLASSE MÉDIA E ALTA PASSAM A TER AULAS DE REFORÇO, REVISÃO E SIMULADOS NAS AULAS REGULARES, ALÉM DE FAZEREM CURSINHOS NO CONTRATURNO PARA PODEREM SE PREPARAR PARA O ENSINO SUPERIOR.
2. Essas disciplinas dos itinerários são de assuntos bem gerais e vagos. Pelo Brasil, já foram identificados temas como ‘Brigadeiro caseiro’, ‘Mundo PET', ‘RPG’ etc. Em São Paulo, na parte diversificada, há desde Empreendedorismo (obrigatório) até eletivas para ensinar maquiagem.
3. Se uma única escola conseguir oferecer os 11 itinerários formativos propostos em São Paulo, realmente deixando o estudante escolher qual ele quer cursar, então A ESCOLA TERÁ QUE OFERECER 276 DISCIPLINAS POR SEMANA. Não há gestor escolar que administre isso. Não há nem espaço físico para comportar as horas de estudo e de preparo de aulas destes professores nas escolas.
4. Além disso, não há professor formado para essas 276 disciplinas dos itinerários. Por isso, as escolas oferecem poucos itinerários e, mesmo assim, estão contratando todo tipo de profissional sem formação para dar aulas para adolescentes (que é um dos trabalhos que mais exigem especialização no mundo todo): dentistas, administradores de empresas, bacharel em direito, engenheiros etc. Esses profissionais têm implorado por material e formação aos diretores de escola para seguirem com as aulas.
5. Os professores que têm licenciatura e dão aulas nas redes fogem o quanto podem dessas disciplinas dos itinerários, preferindo dar aulas dos assuntos que estudaram. Porém, como a quantidade de aulas de suas matérias foi reduzida, eles pegam muito mais turmas para completar a jornada, aumentando enormemente seu cansaço, tornando inviável conhecer seus alunos.
6. Como é pequena a quantidade de aulas das disciplinas desses itinerários, um mesmo profissional chega a receber a tarefa de ministrar aulas de até 10 disciplinas diferentes por semana, inclusive para as mesmas turmas. Os alunos de uma mesma turma sequer sabem qual é a disciplina que o professor ministra em determinado momento. Imagine a jornada deste professor: 10 aulas diferentes para preparar, 10 planos de aula, 10 formas de avaliar etc.
7. Os diretores estão há meses tentando atribuir aulas dessas disciplinas, sem sucesso. Muitos profissionais aceitam pegá-las e desistem quando entendem o que é para fazer na prática. No ano passado, em agosto, quase 30% dessas aulas ainda estavam sem professor na rede estadual paulista.
8. Essa parte diversificada do currículo tem, supostamente, o objetivo de preparar para o mundo do trabalho. Ocorre que, para a maioria das profissões, é necessário fazer estágio, cursar determinados conteúdos, além de outras regulações profissionais. Nada disso é proposto na reforma.
9. As escolas privadas driblam a reforma com aumento de horas na escola ou colocando os mesmos conteúdos que davam antes, mas com outros nomes de disciplinas. Assim, há registros de disciplinas dos itinerários como “química olímpica”, “biologia prática”, “linguística olímpica”, “história da arte” etc.
10. Com a reforma do ensino médio, nenhuma escola do Brasil tem o mesmo currículo, nem que estejam numa mesma rua.
Por isso, há uma revolta generalizada dos alunos, professores e gestores com essa reforma, que é defendida apenas pelas fundações empresariais e pelos secretários de educação que, em sua maioria, são muito próximos dessas mesmas fundações (vários ex-funcionários delas). A criação de tantas disciplinas, sem nenhum aumento de verba para dar condições de infraestrutura e preparo para os professores e gestores, parece ter o objetivo de vender materiais e cursos que essas mesmas fundações elaboraram, além é claro de evitar que os mais pobres ascendam para determinadas carreiras mais valorizadas ou para o ensino superior.
Em suma, é a barbárie.
Por isso, amanhã, todos e todas na rua defendendo a revogação desta violência contra os nossos jovens pobres.
E, se não estiver nas ruas, converse entre os seus familiares e amigos.


A saberem:
Decretada inicialmente por Michel Temer em 2016, a Reforma do Ensino Médio foi oficializada no ano seguinte através da Lei 13.415/2017. Mas, foi a partir de 2020, no auge da pandemia e já no governo Bolsonaro, que ela começou a ser implantada nas escolas de todo o país. Agora as mudanças passam a ser sentidas pela comunidade escolar e se tornam visíveis os prejuízos na aprendizagem dos alunos e nas condições de trabalho dos professores. Com a promessa de aumentar a carga horária, o novo modelo, na verdade, enxugou as disciplinas básicas (orientadas pela Base Nacional Comum Curricular), substituindo-as por uma parte flexível do currículo, composta pelos chamados “itinerários formativos” e pelas disciplinas “eletivas”.

Nas últimas semanas, os jornais destacavam algumas das curiosas “matérias” que os jovens passaram a ter em substituição ao antigo currículo: “Sonhando alto”, “Brigadeiro caseiro” e “Projeto de Vida”, por exemplo. Enquanto isso, as disciplinas tradicionais foram reduzidas da grade ou dissolvidas em “áreas de conhecimento” (Humanas, Exatas, Biológicas, Linguagem e Tecnologia). Os mais prejudicados foram os alunos do terceiro ano, para os quais a maior parte do currículo foi substituída pela parte diversificada. A própria BNCC, aprovada em 2018, tornou obrigatórias apenas as disciplinas de português e matemática nos três anos do Ensino Médio, todas as outras podem ser flexibilizadas. O resultado é que os alunos deixaram de ter acesso a conteúdos importantes e passaram a ter essas disciplinas aleatórias e aparentemente sem sentido, que servem para atender aos interesses do novo mercado de trabalho, também mais flexível e precário (com baixa estabilidade e poucos direitos). O resultado está aí:

Esse aqui é meu horário de aulas para o terceiro ano, e nele não consta NENHUMA aula de História, Geografia, Filosofia, Sociologia,  Biologia, Química ou Física! Matérias que vão cair no Enem e nos vestibulares. Além disso, conta com somente DUAS aulas na semana de Português e Matemática”. Essa foi a postagem de uma estudante do Ensino Médio da rede estadual de São Paulo que viralizou nas redes essa semana. Em um dos comentários outra estudante protesta: “(…) é horrível! E umas matérias totalmente sem sentido e que não vão ajudar em nada! Eu exijo uma greve pra tirar esse ‘Novo Ensino Médio’“.

Com essa formação parcial e esvaziada, o jovem estudante da escola pública terá ainda mais dificuldade para acessar o Ensino Superior, ou mesmo para ter um emprego qualificado. O Ensino Básico completo só estará disponível para aqueles que podem pagar as mais caras escolas privadas. Com isso, a desigualdade educacional entre ricos e pobres vai aumentar ainda mais no país.

As mentiras do Novo Ensino Médio

Para tentar convencer a população da mudança, os governos e grupos empresariais que participaram diretamente da formulação da proposta (como a Fundação Lemann, o Instituto Unibanco, a Fundação Itaú, o Instituto Natura, entre outros), partem de uma verdade para espalhar várias mentiras. A verdade é que o Ensino Médio há tempos vem sofrendo com a baixa qualidade e os altos índices de abandono. Segundo a UNICEF (2022), 2 milhões de crianças e adolescentes de 11 a 19 anos deixaram a escola, a maioria porque precisava trabalhar (48%). Esses problemas se aprofundaram na pandemia, quando 5,1 milhões de estudantes brasileiros ficaram sem acesso à educação (UNICEF, 2021).
O que eles não dizem, no entanto, é que isso é consequência da política de sucatear a escola pública para favorecer os interesses privados, que vem sendo implanta por sucessivos governos. Por isso, longe de resolver esses problemas, a reforma em curso vai aprofundar as desigualdades educacionais no país. Ou seja, o que era ruim está ficando pior. Vejamos algumas das mentiras propagandeadas:

1) “O estudante pode escolher o que interessa”: Isso é mentira porque a própria lei não obriga as escolas a oferecerem todos os itinerários formativos. Na prática os alunos das escolas públicas são obrigados a “pegar o que tem”. “Eu só pude escolher entre exatas ou humanas, mas as aulas que eu queria mesmo ter eu não pude escolher, eu era obrigada a aceitar o que vinha”, afirmou a estudante Julia, da rede estadual de São Paulo.

2) Um ensino mais “moderno”: Os mesmos governos que falam que o ensino atual vai inserir os jovens no “mundo digital”, não garantem o mínimo de estrutura nas escolas. Em muitos casos, computadores e tablets até foram comprados, mas permanecem encaixotados por falta de verbas para instalação ou internet. Mesmo em estados mais abastados, como São Paulo, há escolas sem aulas nesse momento porque não tem nem funcionários para lavar o banheiro por consequência da terceirização.

3) “O aluno vai sair com uma formação técnica ou profissionalizante”: Com a falta de estrutura e a privatização, os recursos públicos vão pro bolso de empresas, que contratam pelo chamado “notório saber”, profissionais que não são professores, com piores salários e que não têm nenhum acompanhamento. A qualidade fica comprometida e os alunos não aprendem nem o básico, nem o profissionalizante. É uma enganação.

Formação ruim para o emprego precário

Mas então quem ganha com o Novo Ensino Médio? Na realidade, essa flexibilização do currículo está diretamente ligada à flexibilização das condições e relações de trabalho, que pioraram com a reforma trabalhista. O “projeto de vida” que o capitalismo tem para a juventude pobre, majoritariamente negra e periférica, é transformá-la nesse novo trabalhador cada vez mais sem direitos, ou pior ainda, prepará-la para ser uma juventude sem trabalho e resiliente à sua condição. Por isso, as aulas de “Brigadeiro caseiro” ou de “empreendedorismo” ganham importância, para que os alunos consigam “se virar” para sobreviver sem um emprego formal e estável, trabalhando em aplicativos ou mesmo vendendo brigadeiro. Segundo o pesquisador Fernando Cassio, da Rede Escola Pública e Universidade (REPU) “[…] um dos elaboradores das apostilas oferecidas aos professores como apoio curricular aos itinerários formativos do NEM é o iFood. As secretarias de Educação nem se preocupam mais em disfarçar”.

Piores condições de trabalho também para o professor

Já os professores estão tendo que trabalhar cada vez mais e em piores condições. Com a redução das suas disciplinas, a maioria se viu obrigada a ensinar muitas matérias diferentes, mesmo sem ter formação específica. O sobretrabalho tem agravado os problemas de estresse e adoecimento. As novas “disciplinas” não seguem nenhum parâmetro e na prática o professor se vê refém das apostilas. Além disso, faltam professores para tantas disciplinas e muitas vezes os alunos ficam sem aula.

Não dá pra “aperfeiçoar”: É preciso Revogar integralmente o Novo Ensino Médio e a BNCC!




Ainda sobre o NEM o site "Dever de Classe postou" :

https://www.deverdeclasse.org/l/novo-ensino-medio/?fbclid=IwAR3_IYGwPjRXvuSNyhp_ZBd3av_SSb38MNORuma-v5yCd-R-yX-nWhG7elU#gsc.tab=0